críticas



“Álbum de Retratos – Cacaso-Parceiros e Canções”- Lua Music-2009


Rosa Emilia- CD Álbum de Retratos-Cacaso Parceiros e Canções


FOLHA DE S. PAULO- São Paulo, quarta-feira, 25 de março de 2009

Além de ser um disco só com letras do ótimo poeta e compositor Cacaso (1944-1987), “Álbum de Retratos” tem outros dois méritos: a intimidade da cantora com a obra -Rosa Emília foi casada com Cacaso- e a opção por instrumentações simples, praticamente só piano ou violão, tocados pelos autores das melodias (Sueli Costa, Joyce, Nelson Ângelo, Zé Renato e outros). O resultado é intimista e delicado, apropriado a versos bonitos como os de “Eu te Amo”, “Beira Rio” e da faixa-título.

POR QUE OUVIR: Com raras exceções, como “Clarão”, as músicas não estão entre as mais conhecidas de Cacaso, permitindo que se desfrute um pouco mais do talento do poeta. (Por LUIZ FERNANDO VIANNA).


FOLHA DE S. PAULO- São Paulo, quarta-feira, 27 de março de 2009

Antonio Carlos Ferreira de Brito, o Cacaso, completaria 65 anos no último dia 13 de março. A evocação mineira de sua poesia transbordava os limites da palavra escrita para perpassar a veia musical de seus diferentes parceiros. É esse tempero que pode se provar, ouvir e comprovar na sincero Álbum de Retratos, da ótima Rosa Emilia.
Radicada na Itália, Rosa canta com facilidade e musicalidade, equilibrando segurança técnica e interpretação viva. Os autores das músicas – Sueli Costa, Nelson Ângelo e Novelli, entre outros – participam dos acompanhamentos, recriando o ambiente sofisticadamente simples em que as canções foram geradas.
Não por acaso, Cacaso faz do aparentemente convencional um caso particular. Usa a frase curta, a acentuação precisa. A seleção das canções é coerente e não cai na solução fácil que seria regravar as parcerias com Jobim, Edu Lobo e Djavan. Aula de adequação. (Por SERGIO MOLINA )


Jornal do Brasil- Caderno B- Supersônicas

Rio de Janeiro, 13 de março de 2009

Com um elenco estelar – reunindo muito mais por afinidade ao homenageado que pose de superprodução – este Álbum de retratos (Lua Discos), sexto álbum da cantora baiana Rosa Emilia, radicada em Veneza, sublinha a relevância da obra do letrista Cacaso. Em parcerias com Filó Machado (Perfume de Cebola), Olivia Byngton (Clarão), Nelson Angelo (Deixa o barraco rolar), Sueli Costa (Eu te amo), Joyce (Beira rio), Sergio Santos (Fazendeiro do Mar), Zé Renato (Lua de vintém), que participam da gravação, o poeta singrado pela voz doce, mas firme, de Rosa expõe seu lirismo refinado pela dor e o humor. “Eu faria de injúria/ a canção mais singela/ água rolada/ céu de aquarela”, pincela em Triste Baía da Guanabara (parceia com Novelli). ( Por Tárik de Souza)


Ficha técnica: Parceiros e Participações Especiais: Silvio D’Amico- Guitarras; Olívia Byington- Voz e Violão Yamaha Silent; Leo di Angilla- Percussões; Sueli Costa- Piano; Zé Carlos Batista- Violão e viola; Filó Machado- Violão; Nando Carneiro- Violões; Nelson Ângelo- Violões e vozes; Sérgio Santos- violão e voz; Joyce- Violão e voz; Zé Renato- Violão e voz.


Rosa Emília “Baiana da Guanabara – Canções de Nelson Angelo”- Lua Music 2004.



Baiana de Salvador que foi casada com o poeta e letrista mineiro Cacaso (Antonio Carlos de Brito, 1944-1987) e transitou entre Lugano (Suiça), Milão e Veneza (Itália), onde está radicada, Rosa Emília chega ao terceiro CD, Baiana da Guanabara (Lua Discos). O repertório revisita – e realça – a obra do também mineiro Nelson Angelo, parceiro de Cacaso.

Após Ultraleve (1988), produção do ex-marido e Nega Rosa (1997), de Nelson Motta, a bissexta Rosa voa alto e intenso. Embora o próprio Nelson Angelo tenha remexido o baú de suas parcerias com Cacaso (cerca de 65) no autobiográfico Mar de mineiro (2002), neste Baiana da Guanabara (onde há também composições só dele) sua obra soa ainda mais elucidada.

”A música de Nelson é aérea, ampla de grande visão, muitas vezes épica”, descreve Rosa no texto de apresentação. E repesca duas epifanias da era do Clube da Esquina, Canoa, canoaFazenda, que já reboaram no bronze vocal de Milton Nascimento. Coragem recompensada pelos ótimos resultados, ela esbanja suingue nos meandros dos sambas A vida levaCarioca da gema e no recorte do choro 1 x 0, clássico de Pixinguinha e Benedito Lacerda que Nelson Angelo letrou. Testemunha das parcerias do compositor com seu marido Cacaso no apartamento da Avenida Atlântica, onde morou com ele por seis anos, Rosa singra ainda com a voz clara e profunda as baladas densas IlhaAve e o recortado baião Cresça e apareça. (Tárik de Souza)



Músicos: Beppe Costantini, Cristiano Verardo, Edu Hebling, Eleonora Zanella, Federico Nalesso, Floriano Inácio Jr., Francesco Casale, Franco Cufone, Gilson Silveira, Jaques Morelenbaum, Leo di Angilla, Luca Doso, Marco Ponchiroli, Marco Suzano, Nelson Angelo, Rosa Bittolo Bon, Ricardo Costa, Rubinho Jacob, Silvio Damico, Stefano Scutari,  Tobia Lenarda e Uccio Gaeta.
Ficha técnica : Produção Artística e executiva – Cristiano Verardo e Rosa Emilia
Assistência de produção – Edu Hebling e Marco Ponchiroli
Gravado e mixado no Waterland Music Studio em Veneza por Cristiano Verardo
Assistente de estúdio – Tobia Lenarda
Piano acústico gravado no Estúdio Condulmer  de Zerman (TV) por Cristiano Verardo e Maurizio Soranzo .
Cello em “Ave de arribação”, violão em “Dora de novo”, pandeiro em “Dora de novo” e “1×0” , saxes  em “1×0”  gravados no Combo Music de Cláudio Guimarães – Rio de Janeiro.
Masterizado por Franco Cufone no Estúdio Housefarm(Arcore)Milano
Conceito gráfico – Paula Juchem – fotos – Ruy Teixeira
Revisão de textos – Giovanni de Polli


Nega Rosa- Lux Music Corp., NY-1997


“ NEGA Rosa é a baiana Rosa e o veneziano Cristiano Verardo. Ela canta – em português e em italiano –ele  toca faz arranjose compõe:tudo reggae! Mas um reggae diferente, suave eelgante, alegre e romântico, dançante e sensual. Rosa reside em Milão há sete anos, canta desde criança, canta por toda a Italia. E agora quer cantar também pra sua gente. Quando foi convidada para integrar os coros dos Pitura Freska, a mais reconhecida banda de reggae na Itália, ela conheceu Cristiano, guitarrista do grupo. Foi amor à primeira nota. Ambos começaram a criar um reggae específico e pessoal que não é nem baiano nem jamaicano. E’ um reggae cool, um reggae light, um reggae diferente,que junta a alegria, a graça e a exuberância brasileira da voz de Rosa e a sofisticação européia, a riqueza harmonica e melódica de Cristiano. O resultado é um ritmo sofisticado,irresistível, leve, animado, e com um som muito próprio, que desde a primeira nota da primeira canção, é imediatamente identificado. Rosa e Cristiano criaram uma sonoridade, um modo de harmonização e uma forma decantar que transforma tudo que toca em coisa sua: tudo reggae. Algumas mais românticas, outras mais ritmadas, outras populares e outras ainda mais sofisticadas; uma canção dos anos sessenta, uma balada de Djavan e um clássico de Gilberto Gil, tudo se tranforma em reggae com Nega Rosa. Tudo se assemelha e tudo é diferente. Para misturar il meglio dei tre mondi,esse encontro do brasileirismo negro com a clássica elegância européia, este disco foi produzido efinalizado com a melhor tecnologia americana. Produzido por Tuta Aquino e Cristiano Verardo e gravado, mixado e masterizado nos Soundtrack Studios de Nova Iorque. Nos meus 25 anos de carreira musical, raras vezes tive a opotunidade de trabalhar com uma cantora tão boa, com tanta suavidade e competência musical.” (Nelson Motta)

Ficha técnica: Titulo – Nega Rosa; Edição – Lux Music Corp., NY-1997
Suporte – CD; Direção Artística- Nelson Motta; Produção – Cristiano Verardo e Tuta Aquino; Design- Giovanni Bianco/Susanna Cucco; Estilista – Costanza Pascolato; Fotografia – Kenneth Willardt.

Músicos: Cristiano Verardo- teclado, guitarras e programação; Darcy de Seixas – Trombone; Mauro Regosco- Percussão; Juliana Aquino, Rosa e Carol Sylvan – coros; Jeremy Adelman- trompete; flughelhorn; Zé Luis Oliveira- sax.


Rosa Emilia – Ultraleve – 1988


“ROSA Emilia Machado Dias. Ou Rosa Emilia. Ou simplesmente Rosa. Rosa canta sorrindo. E’ um caso sério. E’ uma cantora para quem cantar é um estado natural como respirar ou desejar. Rosa canta porque a natureza canta. Ela canta sem justificação e sem segundas intenções. Ela canta por dádiva e satisfação”.(Cacaso)


“ A despeito dos bregas de todos os matizes daqueles que desde o inicio de suas carreira preferem vender as sua almas ao apelo comercial mais rasteiro, uma vez por outra a vertente mais tradicional em estilo da MPB recebe um ânimo estreante com personalidade e talento. ” (Hagamenon Brito)


Ficha Técnica: Titulo: Ultraleve; Edição:  Grapho Produções artísticas; Data de edição 1988; Suporte  Vinil; Direção: Rosa e Cacaso; Produção:  Rosa e Cacaso; Capa: Julieta Sobral; Fotografia: Flavio Colker
Músicos:  Alessandra Milanez, Beto Cazes, Claudio Guimarães, Cristóvão Bastos, Danilo Caymmi, Jaques  Morelenbaum, Jorge Simas, Julieta Sobral, Lisieux Costa, Léo Gandelman, Luiz Alves, Marcelo Costa, Marcos Suzano, Moreira da Silva,Mário Séve, Muri Costa, Nelson Ângelo, Novelli, Paula Santoro, Ricardo Costa, Robertinho Silva, Sérgio Costa, Sérgio Santos, Vittor Santos.


Publicações na Itália:



Renato Sellani e Rosa EmiliaPoesia do Brasil”Philology  Jazz – 2006.


La “strana coppia” italo-brasiliana, vista recentemente dal vivo, conferma il valore di una proposta artistica generata dall’incontro di due generazioni e due mondi musicali diversi, consolidata tuttavia da un affiatamento più che decennale. L’impeccabile pianismo di Sellani e la viscerale vocalità di Rosa affrontano e rileggono l’eterna opera jobiniana, con aperture a Barroso (“Aquarela do Brasil”), Buarque (“O que será que será”), Lobo/De Moraes (la strumentale e struggente “Canto triste”) e Menescal/Bôscoli (“O barquinho”). Sfida ardua, non in quanto inedita ma perché li espone al confronto con un autore eseguito da tutti. Sfida vinta nell’unico modo possibile, cioè grazie a qualità conosciute e a soluzioni inaspettate. I due scelgono di sfiorarsi senza quasi toccarsi, di allontanarsi e riavvicinarsi. In un botta e risposta tra due atteggiamenti agli antipodi che non viaggiano mai in parallelo ma si intrecciano e si coinvolgono. Non due metà della stessa mela, ma due frutti interi e succulenti, uno mediterraneo, l’altro tropicale. Sellani è jazz allo stato puro, improvvisatore incurante degli schemi e allo stesso tempo fedele depositario della metrica. Rosa canta come sempre dallo stomaco, dai polmoni, dal cuore. In duo o accompagnata da un’orchestra di quaranta elementi, non fa differenza. Quando i due appaiono rapiti ognuno nella propria egocentrica intensità, eccoli ricongiungersi in un punto preciso. Poi tornano a volare, a perdersi e a ritrovarsi. Memorabile la versione anglo-portoghese di “Dindi”, particolarmente intense “Insensatez”, “Eu sei que vou te amar” e “Vivo sonhando”. La loro “Garota” brilla di una bellezza minimalista. Del “Cordovado” scattano un’immagine ariosa e panoramica. Colorano con pennellate di emozione il loro “Retrato em branco e preto”. Un album diretto, registrato in un giorno, elegante e caldo, frutto della sostenibile leggerezza dell’estro. (Antonio Forni).


Batuk - Cruzeiro do sul”- Cool D:vision-2006

528-BATUK Cruzeiro Do Sul

Batuk è la recente identità artistica assunta dalla coppia che costituisce il gruppo creativo H2O, vale a dire la cantante Rosa Emilia, nota ai lettori di Musibrasil e il marito Cristiano Verardo, musicista veneziano ex-Pitura Freska.

L’album prende spunto da un analogo disco realizzato dal duo un paio d’anni fa, insieme con Tobia Lenarda, mai distribuito attraverso i canali tradizionali. Rispetto ad altri lavori che cercano di fondere Brasile ed elettronica, oggi presenti sul mercato e fatti per diventare musica di sottofondo, “Cruzeiro do sul” possiede un attributo fondamentale, vale a dire l’anima.

Su tutto aleggia l’inconfondibile voce di Rosa, interprete apprezzata in concerto, titolare di alcuni album di spessore, qui anche autrice di testi da cui traspare la sua baianità. Di rilievo gli arrangiamenti di Verardo e Leo di Angilla, intelligenti nell’abbandonarsi a una “lavagem” musicale brasiliana pressoché totale, che toglie loro ogni residua scoria gringa. Aperta dallo sciabordío delle onde del mare, chiusa dal canto della foresta e benedetta dal violoncello di Jaques Morelembaum, la serena “Bem te vi” regala l’illusione del litorale.

Piacciono “Sonho tropical”, perfetto esempo di elettrobossa radiofonica (così come la title-track) e la capricciosa “Bossa menina”. Le due tracce succedanee “Yokossi” e “Obaluaê” ci proiettano in pieno “terreiro”. Di straordinaria bellezza troviamo “É dia de sol”, un reggae semplice e mistico.

Cristiano è coautore di una traccia che non ha nulla a che vedere con la pur simpatica goliardia dei Pitura. Niente “Pin Floi”, qui a prevalere è l’estasi. Così come in “Quero quero”, di cui “Exmela” è l’ideale proseguimento, con il suo approccio ipnotico dovuto all’uso del berimbau. In “Tarada” crediamo di notare un certo gusto per il jazz alla Metheny, in “Cores” quello per il samba alla Zimbo trio, con una spruzzata di Havana.

Un ottimo disco, che si mantiene di alto livello (cosa rara) per tutti gli ottanta minuti della sua durata. Vale la pena seguire questa “Croce del sud”, per un viaggio nell’emisfero australe del nostro cuore. (Antonio Forni).


H2O Productions -”Chill’ Heineken” – H2O Productions – 2004

HeinekenSingolo

L’originalità del Buddha Bar di Parigi, oggi ritrovo di turisti e modaioli della seconda o terza ondata, va ormai esaurendosi, tendendo ad oltrepassare la sottile linea di demarcazione che separa il commerciale dal demodé. Lo stile musicale lanciato dal locale, cioè il cosiddetto “chill out”, rimane, invece, sulla cresta dell’onda. In questo filone si inserisce il lavoro del gruppo creativo composto da Rosa Emilia, dal marito Cristiano Verardo e da Tobia Lenarda, un disco concepito e realizzato per diventare la colonna sonora di innumerevoli happy hour, tra Venezia e Formentera. Il trio firma tutte le composizioni, alcune delle quali strumentali. Si tratta, in questo caso, di musiche d’ambiente il cui scopo è semplicemente ricreare esotiche atmosfere, percussivamente evocate da digitali darbuka mediorientali e sottolineate dalle corde di elettronici sitar indiani. Tra rilassanti nenie e terapeutici sogni di fresche sorgenti, questo ruscello di note, che sembrano venire da terre lontane, durante il suo corso affluisce in specchi d’acqua a noi più familiari e confacenti. Sono gli episodi nei quali è evidenziata la brasilianità di Rosa Emilia ed in cui la sua voce, parafrasando lo slogan usato dal patrocinatore dell’album nella sua ultima campagna, “sounds good”. Coinvolgente è “Muito mais”, dal ritmo contagioso che ricorda “E’ proibido fumar” degli Skank. Divertente “Bossa menina”, con un’introduzione d’archi da musical hollywoodiano ed un testo simpaticamente impertinente. Un momento particolarmente riuscito ci sembra “Hypnoleveza”, in cui suggestioni new age si sposano all’intensità interpretativa di Rosa, la quale, successivamente, canta in inglese l’eterea “Paradise” ed in francese declama alcuni versi di “Yeux vert”. Tuttavia, la nostra personale preferenza va alla traccia iniziale “Sonho Tropical”, moderna elettrobossa che non avrebbe sfigurato all’interno di altri lavori della cantante, di evidente maggior spessore, che abbiamo avuto occasione di recensire. Complessivamente, un disco piacevole, da bere geladinho, tutto d’un fiato. (Antonio Forni)